Indústria passará a ter mais peso na economia de Pernambuco, diz BC

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Apesar de os programas de transferência de renda terem um papel ainda muito importante para a melhoria da economia de Pernambuco, o diretor de Política Econômica do Banco Central, Carlos Hamilton Araújo, disse ontem que a indústria vai ganhar espaço maior na composição da riqueza gerada no Estado nos próximos anos. Araújo esteve ontem no Recife para apresentar o Boletim Regional, publicação trimestral do BC sobre os indicadores econômicos das regiões brasileiras.

“Pernambuco tem tido outro elemento importante que são os grandes projetos. Refinaria e a fábrica da Fiat e outros projetos trarão um conjunto de fornecedores que trarão grande impacto na (mudança) da economia de Pernambuco. O que se pode imaginar é que, com a entrada em operação dessas unidades, a indústria passe a ter um papel mais relevante na Economia do Estado do que tem tido ultimamente, trazendo alguma transformação à composição de geração de riqueza, produto e renda na economia, hoje muito concentrada na administração pública e nos serviços públicos”, disse.

Araújo destaca que o crescimento da produção industrial pernambucana se descolou da brasileira a partir de 2010, principalmente por causa da expansão de capacidade instalada no Estado. Segundo maior PIB do Nordeste, com 20% de participação na riqueza gerada regionalmente, Pernambuco cresceu num ritmo mais acelerado do que o Brasil e Nordeste nos últimos anos, mas esse crescimento, até agora, tem mais a ver com a melhoria de renda dos mais pobres.

“Isso pode ser explicado pelos programas de transferência de renda e aumento real do salário mínimo, que têm impacto maior onde a renda é menor”, comentou o executivo durante sua apresentação. Para se ter uma ideia, segundo o BC, o Produto Interno Bruto do Estado cresceu 57,6% em 10 anos (até 2013), enquanto o Nordeste cresceu 53,9% e o Brasil 46,5%. A administração pública participa com 24% do peso das atividades econômicas desenvolvidas no Estado, um índice bem superior ao do Brasil, de 16,3%.

Enquanto isso a indústria participa com 10,2% do PIB estadual. No Brasil esse peso é de 14,6%. “A partir de 2010 a economia do Nordeste e de Pernambuco avançou mais que a do País. O impacto da crise internacional foi menos sentido aqui porque ela se concentrou na indústria, que tem menor peso na Região”, avaliou.

Destacando um dado da Secretaria do Tesouro Nacional, Araújo avalia que os programas de transferência de renda equivalem a 15,4% da riqueza gerada no Estado. Segundo ele, esse dado tem participação fundamental no crescimento das vendas do varejo, que cresceram nada menos que 131,5% em 10 anos (até fevereiro de 2014).

No Brasil o desempenho foi de 103,7%. “O salário mínimo cresceu mais de 70% neste período e isso ajuda a entender o desempenho do comércio. A faixa de renda mais baixa tem maior propensão a consumir, pois sobra pouco para poupar e gasta tudo no consumo”, disse. A renda também teve um reflexo maior nas operações de crédito, com um crescimento de 29,3% no Estado, contra 22,3% no Brasil.

com informações do site jconline.ne10.uol.com.br

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