Recuperação e Incertezas

Desde o início da pandemia e das medidas de suspenção das atividades econômicas, muitas empresas e gestores atravessaram diferentes etapas. Em um primeiro momento exigiu adaptação financeira e na gestão de vendas. Com empresas, principalmente do setor de comércio e serviços, acelerando processos de vendas online, delivery e home office. Além da forte contração nos Fluxos de Caixa, o que exigiu uma gestão mais conservadora, com necessidades de captação de crédito e utilização de programas e auxílios do Governo Federal.

O atual estágio é de recuperação das perdas do período de isolamento. Em Caruaru, a recém retomada das atividades tem aumentado as expectativas para o segundo semestre. Nos próximos meses, a recuperação pode ganhar “fôlego” com um calendário que tradicionalmente impulsiona o setor de comércio e serviços. É o caso do Black Friday e o mês de dezembro.

Há ainda mais uma liberação do Saque-Emergencial do FGTS, que deve injetar mais de R$ 37 milhões na economia. Dados da Serasa apontam que mais de 59% das pessoas possuem valores disponíveis.

O cenário macroeconômico possui oportunidades que tendem a favorecer o consumo e o investimento. Os principais indicadores com tendência positiva são: crédito e juros, selic, inflação.

Oportunidades Econômicas

I) Crédito: Durante o período de pandemia o crédito apresentou uma evolução para a Pessoa Jurídica, em março, a taxa passou para 3,5% positivos e, em junho, alcançou 9,2%, segundo estimativas do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – IPEA.

Sabe-se que o estímulo econômico por meio do crédito pode afetar positivamente o crescimento econômico. Estudos apontam que, “o aumento do crédito total (que inclui crédito ao consumidor e crédito para as firmas) gerou um aumento no PIB per capita de 2,3%” (IPEA).

II) Selic: Bancos Centrais têm adotado uma postura de liquidez, com manutenção e redução de baixas taxas de juros. O FED, por exemplo, manteve a taxa entre 0,00% e 0,25%. E o Copom deve manter a Selic em 2,00% nas próximas reunião (FOCUS/Bacen). Este cenário é compatível com o atual nível de estimativa para inflação, medida pelo IPCA. Boletim Focus estima que até o final de 2020 o IPCA se encontre em 1,67%. Abaixo da meta para o ano.

III) Reformas: O retorno de temas importantes à pauta, como a reforma tributária e o novo marco legal do gás, faz o contraponto às crescentes preocupações fiscais. Destaque para Reforma Tributária, que apesar do clima tenso, conta-se com pelo menos, três propostas (executivo, congresso e senado), o que, aumentam as chances de aprovação de uma reforma.

IV) Consumo: Apesar do alto nível de endividamento das famílias (74% de famílias endividadas em Pernambuco em Maio) e incertezas em relação às taxas de desemprego, o consumo pode apresentar taxas de crescimento nos próximos semestres, estimulado por políticas econômicas de crédito e programas sociais (Bolsa Família/Renda Brasil).

Comércio varejista apesar de sua fragilidade em relação ao emprego e renda, tem se mostrado resiliente nos últimos 10 anos. Principalmente com o forte investimento dos grandes grupos (Magazine Luiza, B2W, Via Varejo) em tecnologia e produtividade. Após o “choque” do covid, empresas de médio e pequeno porte devem acompanhar essa tendência. Além disso, temos visto nos últimos dois anos, estes setores ajudando a recuperação do PIB. Principalmente com estímulos, como, resgate do FGTS, e agora, com o grande volume do Auxílio Emergencial;

Riscos e Incertezas

I) Ainda há preocupações com a propagação da pandemia e vemos menos espaço ou disposição política para medidas que mitiguem o impacto econômico do Covid-19, salvo algumas exceções.

II) Desemprego elevado, com previsões de atingir 18% (BTG Pactual) até o final do ano. Caruaru, no Agreste de Pernambuco, já perdeu – 3.378 postos de trabalho de março a maio deste ano. Número superior a todo o ano de 2016 (período recessivo) em que o acumulado foi de – 3.256.

III) Em relação ao PIB, há divergências significativas, que vão de, -5,5% a -9,1% em 2020.